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É falso que Lula tenha recusado comprar vacina contra dengue existente há anos
11.04.2024 - 15h14
Rio de Janeiro - RJ
Circula na internet um vídeo onde é afirmado que a vacina contra a dengue existe há anos, mas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “bateu o pé” para não adquirir o imunizante. É falso. 
Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:
“Já existe a vacina da dengue (...). Essa vacina existe há anos”
– Fala em vídeo circula nas redes sociais
Falta contexto
Em 2015, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro da Dengvaxia, vacina desenvolvida pelo laboratório francês Sanofi Pasteur para combater contra os quatro tipos de dengue — DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Contudo, o uso do imunizante só é recomendado para pessoas que já foram contaminadas previamente pela dengue, apresentando risco elevado de agravamento da doença e hospitalização de indivíduos soronegativos. 
Em nota, o Ministério da Saúde explica que não é possível testar a população antes da vacinação e que, por isso, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) não recomendou a inclusão do imunizante no calendário nacional. “Esta conclusão foi ratificada tanto por estudos realizados no Brasil, como pelo Comitê Técnico Assessor em Imunizações (CTAI), que reúne especialistas”, acrescentou a pasta. 
É válido citar que, como o imunizante foi aprovado pela Anvisa, ele está disponível para compra em serviços privados de vacinação. Contudo, para garantir sua segurança, é necessário que a pessoa já tenha sido contaminada pela dengue antes, como descreve a bula do medicamento (página 3). 
“Lula bateu o pé e disse que não quer comprar”
– Fala em vídeo circula nas redes sociais
Falso
Não cabe ao presidente da República decidir quais imunizantes serão aplicados no país. Além disso, a negativa do grupo de trabalho do Ministério da Saúde, que avaliou a inclusão do imunizante no Calendário Nacional de Vacinação, aconteceu em 2018, durante o governo de Michel Temer (MDB), não na gestão de Lula. 
Processo de incorporação de vacinas ao SUS
De acordo com explicação do Ministério da Saúde, o processo de incorporação de vacinas ao Sistema Único de Saúde (SUS) segue uma avaliação rigorosa que considera as necessidades dos pacientes e do sistema público de saúde. 
O processo começa com a avaliação de eficácia e segurança realizada pela Anvisa para autorizar a comercialização no Brasil. Em seguida, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) avalia a eficácia, segurança, efetividade e impacto social, legal, ético e econômico da tecnologia, garantindo a incorporação de tratamentos que atendam às necessidades da população e façam bom uso dos recursos financeiros disponíveis.
Neste ano, o Brasil iniciou a vacinação contra a dengue. O imunizante Qdenga, fabricado pela Takeda Pharma, foi incorporado ao SUS em dezembro de 2023 e começou a ser aplicado gratuitamente em fevereiro de 2024. O Brasil é o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante no sistema público.
“Só uma única prefeitura [Paraná] comprou a vacina [Dengvaxia]”
– Fala em vídeo circula nas redes sociais
Falta contexto
A OMS sugere que a vacina seja utilizada em locais onde pelo menos 70% do público-alvo já teve contato com o vírus — devido a preocupações com a segurança da vacina para indivíduos soronegativos —, e desaconselha a estratégia se essa porcentagem estiver abaixo de 50%, como mostra relatório da OMS, publicado em julho de 2016 (página 13). Entretanto, o governo paranaense não possuía os dados necessários sobre a porcentagem de pessoas que já tiveram dengue e, por isso, não era possível verificar se a iniciativa seguia os parâmetros da OMS. 
Na época, o conselheiro da OMS, Joachim Hombach sugeriu que as autoridades de saúde do Paraná realizassem uma pesquisa em pequena escala para determinar quantas pessoas já foram infectadas pelo vírus antes de decidir sobre a introdução da vacina contra a dengue no estado. 
Atualmente, o imunizante não é mais ofertado pelo estado que, agora, segue o PNI, com a aplicação da vacina Qdenga, como informou a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, em nota à Lupa.

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