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É de 2016 vídeo sobre ação da PF que cita Alexandre de Moraes; caso foi arquivado
12.04.2024 - 16h16
João Pessoa - PB
Circula nas redes sociais o vídeo de uma reportagem da Record TV que mostra que o nome do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apareceu em documentos apreendidos pela Polícia Federal (PF) no escritório de uma das empresas investigadas em esquema de fraude em campanhas eleitorais. Falta contexto.
Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:
[...] Agora vem essa bomba a tona para todos os brasileiros - Alexandre de Moraes aparece em documentos apreendidos
– Legenda de vídeo que circula no WhatsApp
Falta contexto
O trecho do vídeo que aparece no post é de uma reportagem antiga da Record TV, de 8 de janeiro de 2016. O registro repercutiu um texto publicado pela Folha de S.Paulo, A matéria mostrava que o nome de Alexandre de Moraes apareceu em documentos apreendidos pela PF. Os papéis indicavam o pagamento de pelo menos R$ 4 milhões de uma das empresas investigadas na Operação Acrônimo para a firma de advocacia de Moraes, entre 2010 e 2014. Entretanto, o post que circula nas redes deixa de mencionar que o caso foi arquivado à época pelo ministro Luiz Fux, do STF, porque não havia indícios de crime.
A Folha de S.Paulo mostrou, em janeiro de 2016, que a PF havia encontrado sobre a mesa de um dos principais executivos da empresa investigada, a JHSF Participações, uma planilha impressa com o nome "Alexandre Moraes". Entretanto, a defesa da JHSF afirmou que os documentos fiscais dos pagamentos à firma do ministro seriam "honorários advocatícios". 
Quando foi sabatinado pela Comissão de Constituição de Justiça (CCJ), em fevereiro de 2017, por ter sido indicado pelo então presidente Michel Temer ao STF, Alexandre de Moraes negou qualquer investigação. "Não há nenhuma investigação, porque não há nenhum ilícito. A imprensa inventa às vezes o que bem entender", disse o ministro, à época. 
Segundo Moraes, o nome de sua firma apareceu em planilhas que, na verdade, se tratavam de contratos apresentados à Justiça pela própria empresa investigada. E que não havia qualquer irregularidade.
A Operação Acrônimo, iniciada em 2015, investigou empresários que doaram vantagens indevidas para partidos políticos, em especial ao ex-governador de Minas Gerais Fernando Pimentel, na campanha eleitoral daquele ano. Em julho de 2020, a Justiça arquivou o caso por falta de provas. 

Notícia Urgente foram detectadas fraudes em campanhas eleitoral no passado [...]
– Legenda de vídeo que circula no WhatsApp
Falso
Ao contrário do que diz a legenda do post, não há qualquer prova de fraude desde que as urnas eletrônicas foram adotadas em 1996, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Diversas entidades e organizações atestaram a lisura das eleições presidenciais de 2022. Em 9 de novembro no ano passado, o Ministério da Defesa publicou o relatório de fiscalização do sistema eletrônico de votação. Em suas conclusões, o documento não aponta a presença de códigos maliciosos prejudicando a segurança do sistema. Outro relatório preliminar, do Carter Center – organização internacional não governamental sem fins lucrativos –, publicado em 4 de novembro de 2022, não apontou nenhuma irregularidade no processo eleitoral brasileiro.
O relatório preliminar da Missão Integrada de Observação Eleitoral da União Interamericana dos Órgãos Eleitorais (Uniore), publicado em 31 de outubro de 2022, também atestou a segurança do sistema eletrônico de votação. Já o relatório final do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), divulgado em novembro de 2022, também reforçou que o processo eleitoral foi limpo e seguro. É possível consultar todos os relatórios das missões no site do TSE.
Checagem similar foi produzida por Reuters e UOL Confere

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