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É falso que Felipe Neto recebia ordens de Moraes para pedir remoção de posts
16.04.2024 - 14h20
João Pessoa - PB
Circula nas redes sociais vídeo cuja legenda afirma que o influenciador Felipe Neto recebia ordens do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para pedir o banimento de posts em redes sociais a partir da sua relação com dirigentes de plataformas. A suposta prova seria uma troca de emails entre funcionários do X (antigo Twitter) no Brasil na qual um executivo da empresa, supostamente agindo a pedido de Felipe Neto, pede que uma publicação do blogueiro Allan dos Santos seja penalizada.  É Falso.
Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:
Urgente!!! Felipe Neto recebia ordem de Alexandre de Moraes. Jornalista americano divulga novas informações. As MILÍCIAS DIGITAIS de esquerda era encabeçada por Felipe Neto.
– Legenda de vídeo que circula no WhatsApp
Falso
O post cria uma narrativa desinformativa ao colocar Felipe Neto no centro de um vazamento de uma suposta troca de e-mails entre funcionários do X divulgados por jornalistas conservadores. Ao contrário do que afirma a publicação, não há provas que mostrem que Felipe Neto recebia ordens de Alexandre de Moraes ou que teria influência para remover indevidamente os posts na plataforma. 
O influenciador chegou a postar um texto no X na segunda-feira (15) com um print do vídeo que circula nas redes, negando qualquer relação. "Ele [o perfil que postou o vídeo] terá a chance de provar na justiça sua afirmação de q eu recebia ordens de Alexandre de Moraes". 
Em entrevista ao canal ICL Notícias, na sexta-feira (12), Felipe Neto esclareceu que pediu apoio ao então chefe de políticas públicas do Twitter, Fernando Gallo, para que a empresa tomasse alguma medida contra o blogueiro Allan dos Santos por causa de posts enganosos sobre a vacina da Covid. A resposta do Twitter, à época, foi que o blogueiro não contrariou as normas de uso da plataforma. 
"Eu pedi abertamente na internet [que a conta do Allan dos Santos fosse excluída]. Eu pedi em todas as minhas redes sociais até o momento em que ficou tão estressante que eu cheguei para o [Fernando] Gallo e falei: 'Vocês não vão fazer nada? Vocês vão continuar com essa política?'", disse Felipe Neto, em entrevista ao canal ICL. "Felipe, nós concluímos que [...] ele não infringiu nenhuma das normas da plataforma'.  Depois de dizer que o cara teve parada cardíaca por causa da vacina da covid? [...] A minha resposta para o Gallo foi uma gargalhada imensa e, logo em seguida, eu falei: 'Nós não temos mais o que conversar" ', complementou.
De acordo com reportagem publicada pela Gazeta do Povo, o então chefe de políticas públicas do Twitter, Fernando Gallo, enviou um e-mail para Yoel Roth, chefe de segurança da rede social, em 14 de junho de 2021, pedindo que a conta de Allan dos Santos na rede fosse investigada por causa dos posts desinformativos sobre a vacina da Covid.
A preocupação de Gallo era de que esse conteúdo impactasse ainda mais a vacinação no país. O executivo cita que o blogueiro já havia violado seis diferentes regras da plataforma e mantinha, mesmo assim, posts controversos sobre a Covid. Nesse pedido, porém, o nome de Felipe Neto não é citado.
Print de suposto e-mail vazado
Entretanto, o Twitter resolveu não remover a publicação. Gallo temia que a repercussão de usuários da plataforma, incluindo Felipe Neto, impactasse a empresa de alguma forma. "Embora existam alguns riscos, nós e a equipe de comunicação queríamos ver se você estaria aberto a uma conversa não oficial com ele, para que ele se sinta ouvido e também possamos educá-lo um pouco sobre nossa abordagem e, esperançosamente, aliviar um pouco as tensões”, esclareceu. 
Em nenhum momento do e-mail Gallo citou que a reunião teria sido um pedido de Felipe Neto, mas na verdade a intenção desse encontro era de diminuir a tensão existente por causa da decisão da plataforma em relação ao post de Allan dos Santos. 
Print de suposto e-mail vazado onde Felipe Neto é citado
O vazamento do suposto e-mail foi publicado por jornalistas conservadores. O 'Twitter files', como ficou conhecido, é parte de um conjunto maior de arquivos de trocas de mensagens entre funcionários do X, divulgados após a aquisição da plataforma por Elon Musk, em outubro de 2022. 
A troca de e-mails que aparece na reportagem mostra que havia intenção em realizar o encontro com Felipe Neto, mas que, por orientação da equipe jurídica, seria melhor evitar. "Isso também pode resultar em provas a serem utilizadas por Allan dos Santos em uma ação legal contra nós. Portanto, na nossa opinião, os riscos de ter esta conversa com ele [Felipe Neto] superam os benefícios potenciais", alegou a equipe jurídica.
Felipe Neto também negou qualquer encontro. "Não houve essa reunião, aliás é a primeira vez que eu falo. Essa reunião não aconteceu e o Twitter não fez absolutamente nada do que eu pedi", esclareceu Felipe Neto ao canal ICL. 
Ao ser acusado de exercer influência com membros do Twitter, Felipe Neto afirmou que o contato com plataformas é uma prática entre outros colegas de profissão. "A minha influência, entre aspas, era a influência que todos os influenciadores têm. O Whindersson [Nunes, também influenciador] vai ter o contato do cara do Twitter, do cara do Instagram, do cara do Tik Tok, isso é natural porque muitas das vezes a gente tem que resolver problemas de maneira rápida, contas com milhões e milhões de seguidores costumam ter esse contato".

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