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Rússia usa X e Telegram para mentir e atacar vencedor do Oscar na América Latina
28.05.2024 - 12h02
Buenos Aires e Porto Alegre
Quando a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos concedeu ao filme ucraniano "20 dias em Mariupol" o Oscar de melhor documentário, em 10 de março, uma luz vermelha se acendeu no Kremlin. A obra, que retrata o horror da guerra entre Rússia e Ucrânia, mostrando cenas gravadas em 2022 durante o cerco à cidade de Mariupol pelas tropas russas, precisava ser desacreditada — e rapidamente. Assim, sob a liderança de Moscou, o corpo diplomático russo entrou em ação no universo digital. Nas semanas que se seguiram, usaram o X (antigo Twitter) e o Telegram para negar o inegável.
Ao longo do mês de maio, a Lupa coletou dados e analisou o uso dos canais oficiais da diplomacia russa — no X e no Telegram — em sua tentativa de desconstruir o premiado documentário. E a conclusão é que, embora esteja geograficamente longe, a América Latina é um dos principais centros de difusão da desinformação russa. Entre janeiro e abril de 2024, pelo menos cinco canais controlados pela Rússia espalharam mensagens  — em português e espanhol — sobre "20 dias em Mariupol". Esses posts alcançaram pelo menos 342,2 mil pessoas.
O primeiro movimento da máquina do Kremlin veio dois dias depois de o jornalista Mstyslav Chernov e as produtoras Michelle Mizner e Raney Aronson-Rath subirem ao palco do Dolby Theatre de Los Angeles para receberem a estatueta dourada. Naquele 12 de março, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia fez a primeira de várias postagens sobre o tema nas redes sociais.
"#Mariupol ressurge das cinzas, recuperando-se do trauma e da destruição que a cidade sofreu sob os neonazistas do batalhão Azov [um dos regimentos militares mais famosos da Ucrânia], que usavam os civis como escudos humanos e as infraestruturas civis como suas fortificações militares", escreveu (em espanhol) o ministério no X.
A publicação era acompanhada de imagens de um complexo habitacional de edifícios aparentemente novos. Nada parecido a uma guerra.
Em menos de 48 horas, conteúdo semelhante já havia sido compartilhado pelas embaixadas russas de ArgentinaEquador e Uruguai. E havia saltado de plataforma, circulando nos canais oficiais de Telegram das embaixadas da Rússia na Venezuela, Argentina, Cuba, Nicarágua e Uruguai.

‘Checagem’ do documentário

O segundo movimento do Kremlin contra o Oscar de "20 dias em Mariupol" foi oferecer ao planeta uma espécie de checagem de dados sobre o que é mostrado no filme. E, para isso, Moscou fez viralizar nas redes informações sobre uma das personagens mais inesquecíveis da crise de Mariupol: Marianna Vyshemirsky.
Mundialmente conhecida como a "Madonna de Mariupol", Marianna foi fotografada sangrando enquanto descia, com uma enorme barriga de grávida, as escadas do hospital materno-infantil de Mariupol, após o edifício ser bombardeado. Em outra imagem, que também circulou o mundo, Marianna apareceu enrolada em um edredom manchado de sangue, enquanto, aparentemente, esperava informações sobre onde ir para ter seu bebê.
Blogueira de beleza e hoje mãe de Veronika, Marianna se tornou um ícone do episódio e da desinformação daquele momento. Suas imagens saíram em diversos meios de comunicação do mundo em março de 2022 e geraram comoção. Para Moscou, no entanto, ela não passava de uma atriz que havia sido escalada por Kiev para estar no hospital materno-infantil e posar de vítima para os fotojornalistas que cobriam o conflito. 
Na época, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, assegurou que não havia pacientes nem pessoal médico dentro do centro médico e disse que o edifício estava sendo utilizado pelos militares ucranianos como base militar. Essas informações eram falsas.
Em março de 2024, dois anos depois de atacar Marianna, a posição russa sobre a mulher mudou radicalmente. Para desconstruir o filme, o Kremlin foi atrás dela e passou a nomeá-la como fonte de informação credível e vital.
Em 12 de março, os diplomatas russos em México e Uruguai repostaram em seus canais oficiais um áudio de uma entrevista supostamente feita pelo canal pró-russo RT com Marianna Vyshemirsky. 
Nessa gravação, obtida pela aliança investigativa nos canais de Telegram, uma pessoa com voz feminina diz, em russo, que esteve em Mariupol e que viu os jornalistas que participavam das filmagens. A voz também afirma o seguinte: “Irrita-me que basicamente me usem em seus materiais, e mais ainda em materiais de propaganda”.
Do ponto de vista da verificação de dados, é quase impossível confirmar que a voz que se ouve no arquivo é de Marianna. Mas os checadores se perguntam qual seria o motivo de não haver um vídeo da entrevista com ela - se suas palavras realmente fossem reais. Por que a RT (e a Rússia como um todo) omitiria uma visão impactante da personagem que havia se colocado à disposição para se manifestar?
Mas, em várias postagens oficiais, os diplomatas russos amplificaram o suposto áudio da entrevista com Marianna. Em muitas das publicações identificadas pela aliança investigativa com este conteúdo, há quem diga que Marianna desmentiu o fato inegável de que a Rússia fez um ataque aéreo ao hospital cheio de pacientes. Outros sublinham que ela "acusou as tropas de Kiev de utilizar a instalação civil como escudo, ao se posicionarem em um bloco adjacente do hospital", num endeusamento de Marianna.
Todo esse conteúdo também teve repercussão em meios de comunicação alinhados ao Kremlin, como a própria RT.
Portanto, é importante sublinhar que um relatório das ONGs Human Rights Watch (HRW), Truth Hounds e SITU Research está disponível para que qualquer pessoa veja - de forma independente - como o ataque da Rússia a Mariupol foi impactante, deixou milhares de civis mortos e feridos e teve como alvo uma maternidade. 
"A análise de imagens de satélite, fotografias e vídeos dos principais cemitérios da cidade encontrou que mais de 10.000 pessoas foram enterradas em Mariupol entre março de 2022 e fevereiro de 2023", diz a nota da HRW. "Ao comparar o crescimento das sepulturas com a taxa de mortalidade normal da cidade, os grupos estimam que pelo menos 8.000 pessoas morreram por combates ou causas relacionadas com a guerra, embora não se saiba quantas eram civis".

Repetindo Bucha

Na história recente da Rússia, há várias outras tentativas de enterrar ou mudar radicalmente fatos que foram até mesmo registrados por câmeras ao vivo. O caso do ataque à cidade ucraniana de Bucha é um exemplo.
Em abril de 2022, viralizaram pelo mundo imagens de uma grande quantidade de corpos sem vida espalhados pelas ruas da cidade ocupada pela Rússia. Naquele momento, o governo de Vladimir Putin disse que, enquanto seu país manteve o controle de Bucha, nenhum residente havia sofrido qualquer "ação violenta" e que as imagens que tinham se popularizado eram enganosas — ou seja, uma "provocação encenada" pelo governo de Kiev em conluio com os meios de comunicação ocidentais, sem apresentar nenhuma prova.
Uma das histórias mais amplificadas por Moscou foi a do "morto que mexeu a mão". Em 2 de abril de 2022, o canal de televisão ucraniano Espreso.tv transmitiu um vídeo mostrando dezenas de corpos mortos abandonados pelas ruas de Bucha. A gravação havia sido feita de dentro de um carro em movimento, num dia de chuva.
Em determinado momento, o espectador tem a sensação de que uma das pessoas mortas se mexe, mas checagens publicadas por Maldita (em espanhol), Lead Stories (em inglês) e Polígrafo (em português) deixam claro que o suposto movimento não passa de uma ilusão de ótica provocada pelas gotas de chuva que escorrem pela janela do carro. Nas ruas de Bucha, ninguém se movia, mas os canais oficiais da Rússia ignoraram essas informações e, até hoje, fazem postagens para falar que o ocorrido na cidade foi um teatro. 
Em abril de 2024, por exemplo, circulou pelo X um artigo de opinião escrito pelo embaixador russo na Argentina, Dmitry Feoktistov, que repostava fragmentos de uma coletiva de imprensa oferecida pela diretora do Departamento de Informação e Imprensa do Ministério das Relações Exteriores da Federação da Rússia, Maria Zakharova.
Figura-chave na guerra da informação promovida pelo Kremlin, Zakharova é uma das pessoas mais poderosas da Rússia. Em 2016, ela entrou na lista das 100 mulheres mais influentes do mundo, segundo a BBC, e sob ela paira uma enormidade de sanções.
No evento, Zakharova tinha dito — sem apresentar qualquer prova — que a "encenação sangrenta em Bucha foi feita devido aos avanços nas negociações russo-ucranianas realizadas em março de 2022".
Mas o texto do embaixador vai além. Ao comentar a posição de Maria, ele afirma que "um exame forense publicado em 24 de abril pelo jornal britânico The Guardian havia mostrado que a maioria dos civis mortos em Bucha haviam falecido pelos fragmentos de projéteis antipessoal de 122 mm usados pelos obuses D-30 das Forças Armadas da Ucrânia". Para Feoktistov, isso confirmava a inocência do exército russo no horror flagrado em câmeras. Mas o artigo original, realmente publicado pelo jornal britânico, afirmava exatamente o contrário do que ele dizia — colocava a culpa nos russos.
Na mesma semana da publicação distorcida de Feoktistov, os canais das embaixadas russas na Bolívia, Nicarágua, Cuba, Panamá, Argentina e México também publicaram mensagens negando o massacre de Bucha. Em todos esses países, as postagens afirmavam que o evento consistia em uma peça de teatro e que envolvia atores profissionais.
Ao longo dos dois últimos anos, equipes de jornalistas internacionais escreveram dezenas de artigos sobre o tema. Uma detalhada reportagem do New York Times colocou a Rússia como clara responsável pelas mortes em Bucha, explicando ao mundo como, militarmente falando, a cidade era fundamental para uma esperada conquista de Kiev.
Além disso, desde aquele massacre, organismos de Direitos Humanos como a já mencionada Human Rights Watch alertaram para possíveis crimes de guerra nas zonas controladas pela Rússia na Ucrânia. Segundo essas fontes, as execuções sumárias em Bucha estão na lista de horrores promovidos pelo Kremlin na região. O mesmo material fica patente no documentário "20 dias em Mariupol".

Crocus City Hall

Outro episódio que tem levado Moscou a negar o inegável foi o atentado terrorista à casa de shows Crocus Hall, ação levada a cabo pelo Estado Islâmico que deixou mais de 130 mortes em março. 
No dia seguinte ao evento, Putin alegou que os suspeitos de cometer o ataque "se dirigiam para a Ucrânia" e que este país havia preparado uma “janela” para que os criminosos cruzassem a fronteira". 
A mensagem do presidente russo foi divulgada no canal do Ministério das Relações Exteriores da Rússia (Chancelaria da Rússia) no Telegram e amplamente disseminada pelo site pró-Kremlin Sputnik Mundo (em espanhol). No Brasil, o responsável pela difusão dessa versão do ocorrido também foi o Telegram, no canal da embaixada russa e, assim como nos demais pontos, não foi apresentada nenhuma prova sobre o envolvimento da Ucrânia no ato terrorista perpetrado por 11 homens — já presos.
A posição de Putin sobre Crocus Hall foi tão divergente com os fatos apresentados — em especial pelo fato de o Estado Islâmico ter reconhecido a autoria do ataque — que até o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, aliado de Moscou, teve dificuldades para manter a narrativa. Contradizendo Putin, Lukashenko afirmou que os suspeitos pelos ataques se dirigiam inicialmente para a Bielorrússia, não para a Ucrânia.
"Colocamos nossas unidades em alerta máximo para prepará-las para uma situação de combate (...) Como resultado, [os criminosos] não puderam entrar de forma alguma na Bielorrússia. Reconhecendo isso, desviaram seu rumo e se dirigiram para a fronteira entre a Ucrânia e a Rússia", disse Lukashenko.
No dia 5 de abril, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia publicou em seu Telegram trechos da entrevista de Lavrov sobre o assunto. E, apesar das evidências, o chanceler afirmou que o ataque ao Crocus Hall passaria pela Comissão de Investigação, pela Procuradoria Geral da República e por outras instituições competentes antes de o mundo ter conclusões precisas sobre o ocorrido. A única certeza que Lavrov tinha era que a Ucrânia era culpada pelo atentado.
"Já é óbvio que existe uma marca ucraniana", disse ele. "Além disso, ninguém duvida da participação da Ucrânia em muitos outros atos terroristas em território russo", acrescentou.
Repetindo o padrão de amplificar informações sem lastro, as declarações do ministro foram republicadas na América Latina pelos canais das embaixadas russas em Cuba, Argentina, Uruguai, Colômbia, Chile e Bolívia.
Três dias depois, em 8 de abril, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia publicou em seu canal de Telegram que o Comitê de Investigação Russo tinha obtido dados importantes sobre a preparação dos terroristas do Crocus Hall e que esse material evidenciaria seu vínculo com os serviços especiais ucranianos. Nenhuma prova, no entanto, foi apresentada. As embaixadas russas na Venezuela, Chile e Nicarágua amplificaram a mensagem mais uma vez.

Outro lado

A reportagem pediu entrevistas aos diretores do documentário "20 dias em Mariupol" e às embaixadas russas mencionadas no texto. Os cineastas retornaram dizendo que não comentariam qualquer referência à desinformação relacionada ao filme. 
A Embaixada da Rússia no Uruguai disse, em nota, que as publicações sobre Marianna Vyshemirsky são de autoria das embaixadas da Rússia no México e na Grã-Bretanha. Sobre o caso do Crocus City Hall, a representação diplomática sugeriu a leitura de comentários do Ministério das Relações Exteriores sobre o tema, de 7 de abril, onde critica a cobertura midiática do Ocidente e busca ligar a Ucrânia ao ataque, mesmo sem apontar diretamente que o país é o culpado.
“O terrorismo como método de confronto global tem sido adotado há muito tempo pelos serviços secretos ucranianos. O regime de Kiev não esconde o seu interesse em levar a cabo ações terroristas para intimidar a população, desorganizar o governo e criar incerteza e desconfiança nas autoridades”, diz trecho do comunicado.  
Por outro lado, a Embaixada da Rússia na Venezuela encaminhou, em nota, duas declarações sobre o ataque terrorista. Uma do presidente Putin afirmando que "eles tentaram escapar e seguiram em direção à Ucrânia, onde, segundo dados preliminares, uma janela foi preparada para eles do lado ucraniano cruzarem a fronteira do estado”; e outra do ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, que diz “já é óbvio, diz-se no decorrer dos relatórios sobre o andamento da investigação do ataque terrorista em Crocus, que não houve vestígios ucranianos”.
Questionada se as representações diplomáticas possuem uma estratégia de comunicação unificada na América Latina, a Embaixada da Rússia na Venezuela disse apenas que integra a estrutura do Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa.
Também foram contatadas as embaixadas russas no Brasil, Argentina, Colômbia, México, Panamá, Nicarágua, Bolívia, Panamá, Chile e Cuba. Porém, não houve resposta até a publicação desta reportagem. Se houver retorno, o texto será atualizado.

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