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Lupa
Boulos exagera sobre dívida de SP e promessa de Doria para cracolândia
A classificação de uma das checagens (sinalizado no texto) foi atualizada
07.06.2024 - 17h18
A Lupa deu a largada nesta semana à cobertura das eleições municipais de 2024 com a checagem da sabatina promovida pelo MyNews com os pré-candidatos à prefeitura de São Paulo (SP). O primeiro entrevistado, na quarta-feira (6), foi o atual prefeito, Ricardo Nunes (MDB). Nesta quinta-feira (6), foi a vez do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP). 
Boulos não poupou críticas à gestão de Nunes. Em suas falas, ele acertou sobre a decisão da prefeitura de renovar o contrato de coleta de lixo por mais 20 anos sem licitação.
Por outro lado, o pré-candidato exagerou ao dizer que, na gestão de Fernando Haddad (PT) à frente da prefeitura, a dívida do município com a União caiu de R$ 89 bilhões para R$ 32 bilhões — na verdade, o valor era de R$ 74 bilhões, e o saldo reduziu para R$ 27,5 bilhões.
Outro exagero de Boulos foi ao dizer que o ex-prefeito João Doria, eleito pelo PSDB, prometeu que iria acabar com a cracolândia em um mês — Doria prometeu resolver a situação no primeiro semestre de 2017 e, depois, até o fim do seu mandato.
A seguir, confira a checagem completa feita pela Lupa. A assessoria de Boulos foi procurada pela reportagem, e o conteúdo será atualizado se houver resposta.
Ainda na quinta-feira (6), a Lupa fez a checagem em tempo real de mais um pré-candidato a prefeito de São Paulo: Pablo Marçal (PRTB). Nesta sexta-feira (7), será a vez de Tabata Amaral (PSB), a partir das 10h, Marina Helena (Novo), a partir das 14h, e Kim Kataguiri (União Brasil), a partir das 16h.
Assista à entrevista:
Confira a checagem:
“Neste momento, tem renovação de contrato de coleta de lixo por mais 20 anos sem qualquer tipo de licitação”
– Guilherme Boulos (PSOL), deputado federal (SP) e pré-candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 6 de junho de 2024
Verdadeiro
Em 29 de maio, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), confirmou que vai renovar, sem licitação, os contratos de duas empresas que fazem coleta de lixo na cidade. O contrato atual foi assinado em 2004, na gestão da então prefeita Marta Suplicy (PT), atual vice na chapa do pré-candidato Guilherme Boulos. A decisão de renovar sem a licitação foi tomada após aval do Tribunal de Contas do Município de São Paulo
Os contratos atuais terminam em em outubro deste ano e serão prorrogados por mais 20 anos a um custo estimado de 80 bilhões. 
"Hoje temos 53 mil pessoas em situação de rua em SP"
– Guilherme Boulos (PSOL), deputado federal (SP) e pré-candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 6 de junho de 2024
Subestimado
De acordo com o Tabulador do Cadastro Único, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, a cidade de São Paulo tem um total de 76.668 pessoas em situação de rua. Os dados são de maio de 2024. 
Já o último censo realizado pela prefeitura de São Paulo, publicado em 2022, traz o dado de que a população de rua seria de 31.884. 
Erramos: o texto foi alterado
19.06.2024 - 04h07
Inicialmente, a fala de Guilherme Boulos foi classificada como “Verdadeiro” porque a Lupa considerou dados do sistema do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania de julho de 2023 indicando que a população de rua registrada no Cadastro Único em São Paulo era de 54.812. A classificação foi atualizada para “Subestimado” porque o dado mais recente disponível, de maio de 2024, indica haver 76.668 pessoas em situação de rua no município.
“A meta que ele próprio [Ricardo Nunes] tinha estabelecido no início deste governo de chegar a 2 mil ônibus elétricos, não chegou a 150”
– Guilherme Boulos (PSOL), deputado federal (SP) e pré-candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 6 de junho de 2024
Subestimado
De acordo com a SPTrans, empresa que gerencia o sistema de ônibus da capital paulista, havia até 5 de junho, 179 veículos elétricos movidos a bateria — e não 150, como afirmou Boulos — no Sistema de Transporte Coletivo Municipal de São Paulo. O número é 19,5% maior que o citado pelo pré-candidato – logo, o dado citado por Boulos foi classificado como subestimado. 
Além da frota movida a bateria, a capital paulista conta com 201 trólebus, que são ônibus conectados via cabo a uma rede de fiação aérea. Embora também sejam veículos elétricos, eles já existem há 75 anos em São Paulo. Em agosto de 2023, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) anunciou o interesse em aposentar os trólebus
Em 2021, Nunes chegou a afirmar que, até o fim de seu mandato, em 2024, a cidade teria 2,6 mil ônibus elétricos circulando.
“Na gestão do Fernando Haddad, houve a renegociação da dívida com a União e a dívida do município que era de R$ 89 bilhões caiu para R$ 32 bilhões”
– Guilherme Boulos (PSOL), deputado federal (SP) e pré-candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 6 de junho de 2024
Exagerado
Os números levantados por Guilherme Boulos na sabatina estão exagerados. Em fevereiro de 2016, durante a gestão de Fernando Haddad (PT), a prefeitura de São Paulo assinou um acordo de renegociação da dívida do município com a União. No entanto, o valor da dívida era de R$ 74 bilhões, e não R$ 89 bilhões, como afirmou o pré-candidato. Além disso, o saldo devedor não caiu para R$ 32 bilhões, mas sim para R$ 27,5 bilhões.
“O último candidato e prefeito que disse que ia acabar com a Cracolândia foi João Doria. Ele disse que ia acabar com a Cracolândia em um mês”
– Guilherme Boulos (PSOL), deputado federal (SP) e pré-candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 6 de junho de 2024
Exagerado
Não há registros na imprensa de que João Doria, quando prefeito da cidade de São Paulo pelo PSDB, tenha afirmado que iria suprimir a Cracolândia em um mês ou em 30 dias.
Em fevereiro de 2017, Doria declarou que iria extinguir a Cracolândia no primeiro semestre daquele ano. Já em maio de 2017, ele disse que iria acabar com a Cracolândia “muito antes” do fim de seu mandato como prefeito – ele ficaria no cargo até dezembro de 2019, mas saiu em abril de 2018 para disputar o governo do estado.
Em maio de 2017, após uma megaoperação da polícia paulista que retirou usuários e prendeu acusados de tráfico na região, João Doria disse que aquele momento seria o "fim" da Cracolândia e que a área seria liberada de qualquer circunstância do tipo. No entanto, a Cracolândia persiste até os dias atuais.
"O PT governou três vezes essa cidade e fez três governos que estão entre os melhores avaliados segundo a última pesquisa Datafolha. Marta foi o melhor, e Haddad e Erundina estão entre os cinco primeiros"
– Guilherme Boulos (PSOL), deputado federal (SP) e pré-candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 6 de junho de 2024
Falta contexto
Levando em consideração a pesquisa Datafolha, de março deste ano, que avalia o ranking de melhor prefeito de São Paulo dos últimos 40 anos, a petista Marta Suplicy de fato aparece numericamente em primeiro lugar, com 16%. Entretanto, Boulos deixa de mencionar que, considerando a margem de erro de três pontos percentuais, esse cenário muda. 
Assim, quatro nomes estariam empatados tecnicamente na liderança de melhor prefeito, além de Marta. São eles: Paulo Maluf (PP), Mário Covas (foi prefeito pelo MDB), Luiza Erundina (foi prefeita pelo PT e hoje está no PSOL) e Fernando Haddad (PT). 
A título de exemplo, Paulo Maluf, dentro da margem de erro, poderia chegar a 16%, enquanto Marta Suplicy poderia cair para 13%. 
“Saiu no IBGE faz um mês e meio: um em cada cinco imóveis [no centro de São Paulo] está vazio ou abandonado. É 20%”
– Guilherme Boulos (PSOL), deputado federal (SP) e pré-candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 6 de junho de 2024
Verdadeiro
O número citado por Boulos está correto. Segundo dados do Censo 2022 sobre domicílios, divulgados em março de 2024 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há 58,7 mil domicílios particulares sem uso dentre as 283,2 mil unidades habitacionais dos dez distritos do centro de São Paulo — o que equivale a 20,7%, uma média de um imóvel desocupado a cada cinco.
Já o número de domicílios particulares não-ocupados vagos em toda a capital paulista é de 589.020, o equivalente a 11,82% do total de domicílios. 
“Apesar de ter lei exigindo que em São Paulo tenha canil nos abrigos [para pessoas em situação de rua], isso não foi implementado”
– Guilherme Boulos (PSOL), deputado federal (SP) e pré-candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 6 de junho de 2024
Falta contexto
A lei municipal n° 16.520, de 22 de julho de 2016 (artigo 4°), determina que abrigos, albergues, centros de serviços, restaurantes comunitários e casas de convivência destinados ao atendimento da população de rua tenham “espaços apropriados para acolhimento de animais de pequeno e médio porte que eventualmente acompanhem os abrigados”. No entanto, o mesmo texto estabelece que “a disponibilidade de espaços (...) ficará subordinada à comprovação de viabilidade econômica para tal, a critério do Executivo”. 
De fato, a falta de espaço para animais em abrigos é um problema para pessoas em situação de rua e, por isso, algumas escolhem pelo não acolhimento. Atualmente, alguns Centros de Acolhida na Cidade de São Paulo que oferecem um espaço provisório para pessoas adultas em situação de rua possuem canis, como o CTA Prates I, no bairro do Bom Retiro; o CTA Santana, no bairro de Santana e o CTA Santo Amaro, em Santo Amaro.
"Tanto é que ele [Ricardo Nunes] colocou um secretário do clima no ano passado que era negacionista do aquecimento global"
– Guilherme Boulos (PSOL), deputado federal (SP) e pré-candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 6 de junho de 2024
Verdadeiro
O ex-secretário executivo de Mudanças Climáticas de São Paulo, Antonio Fernando Pinheiro Pedro, chegou a ser chamado de "negacionista" por uma procuradora durante um fórum realizado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em junho do ano passado. No evento, ele afirmou que o planeta Terra "se salva sozinho" do aquecimento global. 
"O planeta não será salvo por nós, ninguém salva o planeta terra. Geralmente ele se salva sozinho. Ele o faz há 4,3 bilhões de anos e muda o clima em todo esse período. Quando o planeta se salva, geralmente ele se livra do que está na superfície dele". O vídeo com a fala do ex-secretário viralizou dias depois nas redes. Após isso, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) exonerou Antonio Fernando Pinheiro Pedro do cargo
Em episódios anteriores, o ex-secretário também fez afirmações negacionistas. Responsável por ajudar a criar o programa ambiental do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Pinheiro Pedro afirmou que o país não teve desmatamento recorde em 2019 — apesar dos dados apontarem o contrário. "Somos vítimas da má informação. Para começar, não tivemos desmatamento recorde", disse, em entrevista ao jornal O Globo, em 2019. Também defendeu a desidratação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), durante a fase de grupo de transição do governo Bolsonaro.


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Carol Macário
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