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Lupa
Kim erra dados sobre desaprovação de Haddad e atendimento psicossocial
O conteúdo de uma das checagens (sinalizado no texto) foi atualizado
07.06.2024 - 17h05
A Lupa deu a largada nesta semana à cobertura das eleições municipais de 2024 com a checagem da sabatina promovida pelo MyNews com os pré-candidatos à prefeitura de São Paulo (SP). Já foram entrevistados Ricardo Nunes (MDB), Guilherme Boulos (PSOL)Pablo Marçal (PRTB), Tabata Amaral (PSB) e Marina Helena (Novo).
A sexta e última entrevista foi com o deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil). O pré-candidato acertou ao dizer que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu voto para Boulos “antes da hora” e que um projeto que propôs na Câmara foi aprovado na Comissão de Segurança Pública para que as guardas municipais possam abordar pessoas com base em fundada suspeita. 
Kim errou, entretanto, ao dizer que Fernando Haddad (PT) teve desaprovação maior do que Celso Pitta (eleito pelo PPB) como prefeito de São Paulo. Outro erro foi ao dizer que dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) votaram a favor de restabelecer os direitos políticos de Lula. 
O deputado federal ainda cometeu outros equívocos na sabatina. Um deles foi sobre a prefeitura ter previsto R$ 8 bilhões para o enterramento dos fios na cidade. Outro foi quanto ao número de leitos disponíveis para atendimento psicossocial.
A seguir, confira a checagem completa feita pela Lupa. A assessoria de Kim Kataguiri foi procurada pela reportagem e a resposta enviada foi incluída na frase checada.
Assista à entrevista:
Confira a checagem:
“[Fernando Haddad] conseguiu desaprovação maior do que Celso Pitta [ex-prefeito de São Paulo]”
– Kim Kataguiri (União Brasil), deputado federal (SP) e pré-candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 7 de junho de 2024
Falso
Em 2016, Fernando Haddad (PT), então prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, teve apenas 14% de avaliação positiva pela população paulista e 48% de rejeição. Embora a taxa tenha sido uma das mais altas dentre os gestores da cidade, a desaprovação de Haddad não foi maior que a de Celso Pitta (1946 - 2009).
Em 1999, o ex-prefeito de São Paulo teve apenas 7% de aprovação — considerada a pior avaliação até o momento. Quando terminou o mandato, a administração de Pitta foi considerada ruim ou péssima por 78% dos paulistanos.
"Hoje a gente tem 372 mil moradias precárias na cidade de São Paulo"
– Kim Kataguiri (União Brasil), deputado federal (SP) e pré-candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 7 de junho de 2024
Subestimado
O dado apresentado por Kim Kataguiri é de 2019, quando havia 372 mil moradias precárias na capital paulista. Os dados mais atualizados, da Secretaria Municipal da Habitação, mostram que a estimativa atual é de 400,589 domicílios nesta situação. 
“[Boulos] já veio do segundo turno da última [eleição para prefeito 2020] e tem apoio do Lula, [Lula] até pedindo voto antes da hora”
– Kim Kataguiri (União Brasil), deputado federal (SP) e pré-candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 7 de junho de 2024
Verdadeiro
Em evento realizado em São Paulo no dia 1º de Maio deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou publicamente seu apoio ao deputado e pré-candidato Guilherme Boulos (PSOL-SP). Durante seu discurso, Lula fez um apelo direto ao eleitorado “eu vou fazer um apelo: cada pessoa que votou no Lula, em 1989, em 1994, em 1998, em 2006, em 2010 e em 2022, tem que votar no Boulos para prefeito de São Paulo", disse o petista. A legislação eleitoral, contudo, impõe restrições à propaganda e pedidos de votos no período de pré-campanha
Em 2020, Guilherme Boulos disputou o segundo turno das eleições para prefeito de São Paulo com Bruno Covas (1980-2021). Na ocasião, Bruno Covas foi reeleito com 59,38% dos votos válidos, enquanto Boulos obteve 40,62%.
“Aprovei projeto na Comissão de Segurança para que a polícia municipal possa abordar com base na fundada suspeita”
– Kim Kataguiri (União Brasil), deputado federal (SP) e pré-candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 7 de junho de 2024
Verdadeiro
Em março deste ano, o projeto de lei que propõe que guardas municipais possam abordar suspeitos (PL 3.674/2023), proposto por Kim Kataguiri, foi aprovado na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados. 
Embora tenha sido aprovado na Comissão de Segurança, a proposta ainda está tramitando e deve ser avaliada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da casa.
"Desde 2017, o cadastro único não é atualizado, por isso que tem 700 mil miseráveis na cidade"
– Kim Kataguiri (União Brasil), deputado federal (SP) e pré-candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 7 de junho de 2024
Falso
É falso que os dados do Cadastro Único não são atualizados desde 2017. A Lupa acessou o Painel de Monitoramento do Cadastro Único e, de acordo com dados de maio deste ano, a cidade de São Paulo tem um total de 1.729.389 pessoas inscritas no Cadastro Único que estão em situação de pobreza – renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa.
Em relação ao total de famílias, 758 mil estão em situação de pobreza, enquanto outras 362 mil são de baixa renda (renda per capita de até meio salário mínimo) e mais 699 mil ganham acima de meio salário mínimo.
Em áudio enviado à Lupa pelo WhatsApp, o deputado alegou que sua declaração foi interpretada de forma equivocada. “Na realidade eu disse que há 700 mil miseráveis porque o Cadastro Único não é atualizado”, explicou. Em nota, a assessoria de imprensa de Kim Kataguiri reiterou a declaração do parlamentar, e enfatizou que ele não afirmou “que temos 700 mil miseráveis no Cadúnico”.
Erramos: o texto foi alterado
19.06.2024 - 06h08
Inicialmente, a frase dita por Kim Kataguiri publicada no texto pela Lupa desconsiderou o início da fala do deputado, quando ele disse que “desde 2017 o cadastro único não é atualizado”. Este contexto foi adicionado posteriormente. Contudo, a etiqueta não foi alterada porque, como mostrou a apuração, o Cadastro Único não está desatualizado desde aquele ano e, inclusive, há dados disponíveis de maio de 2024.
“Prefeitura colocou que orçamento para fazer enterramento dos fios na cidade é de R$ 8 bilhões”
– Kim Kataguiri (União Brasil), deputado federal (SP) e pré-candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 7 de junho de 2024
Falso
Não há menção a “enterramento de fios” na Lei Orçamentária de 2024 ou no Plano de Metas do município para 2021 a 2024. Também não foi localizada notícia sobre a prefeitura estimar o valor de R$ 8 bilhões para o enterramento de fios em toda a cidade, a partir de buscas no Google ou no site da própria prefeitura.
Em novembro de 2023, Ricardo Nunes (MDB), atual prefeito de São Paulo, disse que seria preciso gastar R$ 20 bilhões para realizar o enterramento dos fios somente na região central da cidade. 
Especialistas apontam custos de pelo menos R$ 80 bilhões para o enterramento de fios aéreos na capital paulista, considerando apenas a rede de telecomunicações.
“Temos 12 milhões de habitantes e 39 leitos de drogas na atenção psicossocial”
– Kim Kataguiri (União Brasil), deputado federal (SP) e pré-candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 7 de junho de 2024
Falso
Segundo a Prefeitura de São Paulo, existem 187 vagas — e não 39 — para acolhimento integral ou apenas noturno nas 35 unidades dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) voltados especificamente para o acolhimento e tratamento de pessoas com problemas com álcool e drogas, os chamados Caps Álcool e Drogas (AD).
Vale pontuar que, no total, a cidade de São Paulo tem 102 Centros de Atenção Psicossocial: 35 são o Álcool e Drogas (AD), 33 infantojuvenis e 34 adultos. Juntas, essas unidades oferecem 336 vagas para a população paulistana.
“[os mais pobres] levam em média de 2 horas e meia dentro do transporte público”
– Kim Kataguiri (União Brasil), deputado federal (SP) e pré-candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 7 de junho de 2024
Verdadeiro
Um levantamento realizado pelo Instituto em Pesquisa e Consultoria Estratégia (Ipec) em parceria com a Rede Nossa São Paulo, publicado em setembro de 2023, mostra que população que utiliza transporte público na capital paulista gastou, em média, 2 horas e 23 minutos por dia para se deslocar pela cidade no ano passado (página 14). 
"[Bolsonaro] colocou dois ministros no Supremo que votaram favoravelmente aos direitos políticos do Lula"
– Kim Kataguiri (União Brasil), deputado federal (SP) e pré-candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 7 de junho de 2024
Falso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuperou seus direitos políticos em abril de 2021, após o STF decidir, por 8 a 3, anular as condenações do petista diante da Operação Lava Jato e, assim, devolver-lhe os direitos políticos. À época do julgamento dessa ação, havia somente um ministro na composição da Corte indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL): Kassio Nunes Marques, que não votou favorável à anulação das condenações. 
Os ministros Edson Fachin, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Rosa Weber, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Luís Roberto Barroso votaram a favor de anular as condenações de Lula. Além de Nunes Marques, Marco Aurélio e Luiz Fux divergiram da maioria. Já o ministro André Mendonça, segundo indicado por Bolsonaro, só tomou posse no STF em dezembro de 2021.
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Carol Macário
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