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Lupa
Marina Helena erra sobre acidentes em SP e exagera sobre educação no Ceará
O título da reportagem e a classificação de uma das checagens (sinalizado no texto) foram atualizados
07.06.2024 - 16h51
A Lupa deu a largada nesta semana à cobertura das eleições municipais de 2024 com a checagem da sabatina promovida pelo MyNews com os pré-candidatos à prefeitura de São Paulo (SP). Já foram entrevistados Ricardo Nunes (MDB), Guilherme Boulos (PSOL), Pablo Marçal (PRTB) e Tabata Amaral (PSB).
A quinta entrevista foi com Marina Helena (Novo). A pré-candidata acertou ao dizer que as bibliotecas públicas da cidade não abrem todos os dias da semana e que mais da metade do valor investido no transporte é subsidiado pelo município.
Marina Helena errou, entretanto, ao dizer que o corredor azul criado para trazer mais segurança ao trânsito zerou os acidentes envolvendo motocicletas. Ela ainda exagerou ao dizer que oito em cada dez professores são temporários no Ceará.
A seguir, confira a checagem completa feita pela Lupa. A assessoria de Marina Helena foi procurada e a resposta enviada foi incluída em uma das frases checadas.
Nesta sexta-feira (7), a Lupa checa em tempo real mais um pré-candidato a prefeito de São Paulo: Kim Kataguiri (União Brasil).
Assista à entrevista:
Confira a checagem:
"[...] [Ronaldo] Caiado [governador de Goiás] que rompeu contrato com a Enel lá em Goiás"
– Marina Helena (Novo), pré-candidata a prefeita de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 7 de junho de 2024
Falta contexto
A Enel Distribuição Goiás decidiu vender sua participação na distribuição de energia para a Equatorial, em setembro de 2022, por R$ 1,6 bilhão. Em dezembro do mesmo ano, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a venda. Segundo o governo de Goiás, a negociação foi finalizada em um movimento da Enel para evitar o cancelamento do contrato em razão do descumprimento, pelo segundo ano consecutivo, das metas de melhoria dos serviços acordadas com a Aneel. Ou seja, a empresa fez a transação pouco antes de ser descredenciada. "Quando eles viram que ia para a caducidade, ou seja, o cancelamento do contrato, eles rapidamente venderam para a Equatorial”, afirmou o governador Ronaldo Caiado (União), em vídeo publicado à época nas redes. 
A Assembleia Legislativa de Goiás chegou a apresentar um projeto de lei em 2019 que propunha a rescisão do contrato de concessão entre a Celg Distribuição S/A e a Enel Distribuição Goiás, devido irregularidades na prestação de serviço de distribuição de energia. A Enel também vinha sendo pressionada por Caiado para deixar o estado. 
"O transporte hoje na cidade de São Paulo é bastante subsidiado, acho que mais da metade do valor é pago pelos nossos impostos"
– Marina Helena (Novo), pré-candidata a prefeita de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 7 de junho de 2024
Verdadeiro
Em 2023, a prefeitura de São Paulo desembolsou R$ 5,6 bilhões com subsídios pagos às empresas de ônibus — cerca de 52,8% dos gastos totais do sistema, que foi de R$ 10,6 bilhões. Os dados constam no Relatório Integrado da SPTrans.
“As bibliotecas públicas [na cidade de São Paulo] não abrem todos os dias da semana”
– Marina Helena (Novo), pré-candidata a prefeita de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 7 de junho de 2024
Verdadeiro
A maioria das 54 bibliotecas públicas municipais de São Paulo funciona apenas nos dias úteis da semana e aos sábados. O horário das unidades costuma variar das 9h às 18h, das 8h às 17h e das 10h às 19h. Todas as unidades funcionam aos sábados, das 10h às 14h. Apenas duas delas abrem também aos domingos e três não abrem às segundas-feiras. Uma não abre aos sábados e quatro estão temporariamente fechadas para reforma. 
Já as cinco bibliotecas centrais (Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, Biblioteca Mário de Andrade e três bibliotecas do Centro Cultural São Paulo) funcionam em dias e horários alternados. O Centro Cultural São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade abrem também aos domingos, respectivamente das 10h às 18h - e das 10h15 às 16h45.
“Mas desde que foi implementado o corredor azul, zerou nos lugares que têm o corredor azul os acidentes”
– Marina Helena (Novo), pré-candidata a prefeita de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 7 de junho de 2024
Falso
Mesmo com a implementação da faixa azul – projeto da Prefeitura de São Paulo que demarcou, em algumas vias da cidade, trechos preferenciais para o tráfego de motocicletas a fim de tornar o trânsito mais seguro para os pilotos – ainda ocorrem acidentes nos lugares onde existe a sinalização. 
De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET), que publicou um levantamento quando o projeto completou um ano, no dia 25 de janeiro de 2023, ainda foram registrados acidentes nos locais com faixa azul, apesar de não terem ocorrido mortes. 
Em maio deste ano, diversos veículos de imprensa, como o g1, Folha de S.Paulo, Estadão e Metrópoles publicaram reportagem com a confirmação da prefeitura de quatro mortes registradas em regiões com faixa azul. Os falecimentos ocorreram em dezembro de 2023, fevereiro, março e abril de 2024.
"No Tocantins, é digital, você submete a planta [alvará de construção]. Digital e rapidinho sai"
– Marina Helena (Novo), pré-candidata a prefeita de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 7 de junho de 2024
Falta contexto
Em Tocantins, de fato o serviço para emitir um alvará de construção é de forma online, entretanto isso ocorre somente para as construções de baixo e médio risco, ou seja, que possuam até 750 m² e não agreguem risco especial. O atendimento também pode ser feito de forma presencial, em uma das unidades de atendimento do órgão.
Em São Paulo, o sistema para emissão para licenciamento de obras, de pequeno e médio porte, também é totalmente de forma eletrônica, por meio do Sistema Eletrônico de Licenciamento de Construções (SLCe). Também na capital paulista existe o programa "Aprova Rápido", iniciativa destinada a alguns tipos de alvará e estabelece prazo máximo de 130 dias para dar uma resposta.
“No Ceará, oito em cada dez professores são temporários”
– Marina Helena (Novo), pré-candidata a prefeita de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 7 de junho de 2024
Exagerado
Segundo o Censo Escolar 2023 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 47,2% dos professores da rede pública do Ceará são temporários, ou seja, cerca de 5 em cada 10 professores do estado.
"O que sei hoje é o seguinte: tinha cerca de 5 mil moradores de rua, prefeitura diz que é mais de 30 mil, cadastro único diz que é mais de 70 mil"
– Marina Helena (Novo), pré-candidata a prefeita de São Paulo, em sabatina do MyNews, em 7 de junho de 2024
Verdadeiro
De acordo com o Tabulador do Cadastro Único, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, a cidade de São Paulo tem um total de 76.668 pessoas em situação de rua. Os dados são de maio de 2024.
Já o último censo realizado pela prefeitura de São Paulo, publicado em 2022, indica que a população de rua seria de 31.884. Logo, a afirmação da pré-candidata é verdadeira.
Em nota enviada à Lupa, a assessoria de imprensa da Marina Helena informou que os números sobre pessoas em situação de rua na capital paulista foram baseados no Levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas. “O levantamento chegou a 76,6 mil [pessoas] em situação de rua na cidade de São Paulo”, destacou a assessoria.
Erramos: o texto foi alterado
19.06.2024 - 19h46
Inicialmente, a fala de Marina Helena foi classificada como “Exagerado” porque a Lupa considerou dados do sistema do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania de julho de 2023 indicando que a população de rua registrada no Cadastro Único em São Paulo era de 54.812. A classificação foi atualizada para “Verdadeiro” porque o dado mais recente disponível, de maio de 2024, indica haver 76.668 pessoas em situação de rua no município. Por conta disso, o título da reportagem também foi atualizado.
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Carol Macário
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