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É falso que OMS admitiu que máscaras foram ineficazes na pandemia
20.06.2024 - 17h06
João Pessoa - PB
Circula nas redes sociais um post que afirma que a Organização Mundial da Saúde (OMS), em uma atualização de um protocolo, acabou admitindo a ineficácia das máscaras durante a pandemia da Covid-19. É falso.
Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:
Atualização da OMS acaba admitindo a ineficácia das máscaras durante a pandemia
– Legenda de post que circula no WhatsApp
Falso
Em nenhum a OMS publicou algum texto ou documento admitindo que as máscaras foram ineficazes à época da pandemia da Covid-19. Pelo contrário, ela reforça em seu site a importância de medidas preventivas, a exemplo do uso de máscaras, "para fornecer proteção ao usuário e às pessoas ao redor". 
A legenda que circula nas redes é o título de um texto publicado na Gazeta do Povo. O próprio conteúdo traz um trecho em que afirma que a OMS nunca afirmou que as máscaras foram ineficazes. "Claro que em nenhum momento há a admissão de que erraram em suas recomendações anteriores, nem há algo escrito do tipo 'máscaras não funcionam'", diz o texto.
Entretanto, para justificar o título do texto, o autor cita relatório publicado pela OMS em abril deste ano, e afirma que esse documento seria a prova de que a entidade errou em seu protocolo sobre máscaras. O "Relatório de consulta técnica global sobre terminologia proposta para patógenos que se transmitem pelo ar", contudo, não diz em nenhum momento que as máscaras foram ineficazes.
O documento trata na verdade sobre uma unificação em torno de termos como 'transmissão aérea' e 'transmissão por aerossol' que foram utilizados à época da pandemia de Covid-19 de diferentes maneiras, "o que pode ter contribuído para informações enganosas e confusão sobre como os patógenos são transmitidos nas populações humanas", diz.
Trata-se portanto de um relatório de consulta técnica que reuniu pontos de vista de especialistas sobre uma série de disciplinas, com o objetivo principal de procurar consenso relativamente à terminologia utilizada para descrever a transmissão de agentes patogênicos através do ar que podem potencialmente causar infecção em humanos — incluindo diferenças nos limites de tamanho de partículas, duração no ar, distância percorrida, método de dispersão e outras propriedades.
Estas partículas devem ser descritas com o termo “partículas respiratórias infecciosas” ou IRPs, ressalta o relatório. "Isto facilita o afastamento da dicotomia dos termos anteriormente utilizados: 'aerossóis' (geralmente partículas mais pequenas) e 'gotículas' (geralmente partículas maiores)", diz a OMS.
O relatório informa (página 11), por exemplo, que numerosas medidas de mitigação podem reduzir o risco de agentes patogênicos que se transmitem pelo ar, dentre eles o uso de máscaras. 
"O uso de máscara reduz a propagação de doenças respiratórias na comunidade, reduzindo o número de partículas infecciosas que podem ser inaladas ou exaladas. Essas partículas podem se espalhar quando um indivíduo infectado fala, canta, grita, tosse ou espirra (mesmo que não seja sintomático)", diz a OMS, em seu site.

Uso de máscaras

Em 5 de março de 2021, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos publicou uma pesquisa afirmando que o uso de máscaras e a restrição de refeições em bares e restaurantes auxiliaram a diminuir a transmissão da Covid-19 nos primeiros 20 dias de implementação, reduzindo as taxas de crescimento de casos e de mortes. A instituição pontuou ainda que essas medidas foram cada vez mais importantes devido ao surgimento de variantes do novo coronavírus em diversos países. Outro estudo, divulgado em fevereiro de 2021 pelo CDC, afirmava que usar duas máscaras – uma de pano e outra cirúrgica – reduzia em 95% a exposição aos aerossóis, pequenas partículas respiratórias que podiam conter o vírus.
Em seu site, o CDC também reafirma a importância de máscaras como em casos da Covid-19. "Diferentes máscaras oferecem diferentes níveis de proteção. Usar aquele mais protetor que você possa usar confortavelmente por longos períodos de tempo e que se ajuste bem (cobrindo completamente o nariz e a boca) é a opção mais eficaz", diz. 

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Ítalo Rômany
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