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Queimada denunciada em vídeo não é criminosa; trata-se de queima prescrita
25.06.2024 - 12h51
Porto Alegre - RS
Post nas redes sociais traz um vídeo no qual uma mulher denuncia que brigadistas indígenas estão realizando queimadas criminosas no Xingu, no norte do Mato Grosso, a mando do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de forma criminosa. É falso.
Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:
Indígenas denunciam flagrante de queimadas criminosas no Xingú
Querem culpar os fazendeiros”
– Texto em vídeo que circula nas redes sociais
Falso
O vídeo foi gravado pela influenciadora digital indígena Ysani Kalapalo, na última terça-feira (18), no Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso. O vídeo original, que possui 15min50s de duração, mostra parte de uma queimada e o momento em que Kalapalo, acompanhada de dois homens -  um deles armado com espingarda e facão - interrompem o trabalho de brigadistas do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo/Ibama). Aos 13min35s, os profissionais tentam explicar que estão realizando a queima prescrita, mas Kalapalo se recusa a ouvir as explicações.
Em nota enviada à Lupa, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) explica que a técnica é autorizada e seu uso é feito apenas em áreas de campos ou savanas, e não em áreas de floresta. O método consiste em utilizar o fogo ao final do período de chuvas para queimar o excesso de combustível (matéria orgânica morta/seca) e assim evitar a ocorrência de grandes incêndios florestais durante a estiagem.
"Trata-se de um fogo suave, que não provoca a morte de plantas ou animais. A fumaça costuma ser mais branca, devido à umidade, e a vegetação rebrota logo em seguida", detalhou o Ibama.
Além do Mato Grosso, o Prevfogo/Ibama também realiza queimas prescritas em terras indígenas e territórios quilombolas em Goiás, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Roraima e Amazonas.
Em nota, o instituto informou que “em junho deste ano, o Prevfogo/Ibama iniciou a contratação de 1.803 brigadistas. Deste total, 132 têm a função específica de realizar as queimas prescritas. Dentro do Manejo Integrado do Fogo (MIF), a queima prescrita é uma técnica de prevenção a incêndios florestais, assim como os aceiros. A iniciativa requer treinamento e conhecimento da região onde a técnica será empregada”.
A abordagem aos brigadistas resultou na apreensão de um pequeno veículo do Ibama, que até o recebimento da nota, conforme a autarquia, ainda não foi devolvido. Os profissionais registraram um boletim de ocorrência na Polícia Militar da cidade de Gaúcha do Norte (MT). Em outro vídeo, Kapalo, que gravou a denúncia, afirmou que o veículo é utilizado para crimes ambientais. Ela afirma que só negocia a devolução do veículo quando receberem uma indenização por crimes ambientais cometidos no território [do seu avô].
Na quinta-feira (20), lideranças xinguanas divulgaram uma nota em apoio às ações do Prevfogo/Ibama e condenando o ato que impediu a ação dos agentes. “Hoje, entendemos e sentimos na pele os efeitos das mudanças do clima que está afetando nosso modo de viver e da nossa forma de relação com a natureza. A floresta cada vez mais seca está vulnerável aos grandes incêndios florestais e coloca em risco a destruição de toda matéria prima necessária para manutenção da nossa cultura e sobrevivência”, diz trecho da nota assinada por 13 líderes indígenas.

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Ítalo Rômany
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